quarta-feira, 21 de abril de 2010

Amizade Colorida

- Oi.
- Tudo bem? – cumprimentou-a beijando-lhe ternamente no rosto, como de praxe. E ela, de novo, sentiu aquele formigamento estranho no local, junto com um contentamento repentino e, em seguida, súbito descontentamento por ter sido tão pouco e tão rápido o contato com os lábios dele em seu rosto. Como queria que aquela sensação durasse para sempre ou pelo menos que pudesse senti-la em outro canto... Hm, como seria aquela sensação se o contato fosse na boca? Não, não iria beijar seu amigo.
- Cruzes!

Ela se deparou com dois olhos confusos e engraçados.

- Hm, er, digo, está tudo bem, hehe... E você?
- Tudo. – uma resposta que saiu mais como riso que tudo. Aquele sorriso de pura incredulidade frente aos devaneios dela.
Hm...

- Então, vamos começar?
- Ah, vamos, vamos...
- Certo...

Ambos sentam lado a lado no sofá. Ele saca uma caneta e um caderno. Tira a tampa da caneta com a boca.

- Vohmxê começa.
- Eu? Por que eu, hein?

Ele sorriu de novo, divertido.

- Tá bom, eu começo.

Então ele começou a falar sobre seu projeto, mas a cabeça dela estava dividida entre ouvir realmente o que ele estava falando ou imaginar eles dois em situações constrangedoras e comprometedoras.

- Pode ser?
- Hã... Claro, claro.
- Prestou atenção?
- Hm... Desculpaeuestavapensandonumascoisasaqui, masfaladenovo, porfavor,e... E...
- Menina. Pára. Ouve que eu não vou falar de novo. É o seguinte...
- Aham... – ela acenava afirmativamente a cabeça, agora prestando atenção até nas vírgulas que haviam na frase dele. E então voltou à realidade e começou a expor as opiniões que estava guardando para aquele momento.

No fim do dia, aquele mesmo beijo no rosto e um ‘tchau’ rápido, típico dele, marcaram uma despedida. E ela novamente voltou a fantasiar com as sensações e as contradições de uma amizade colorida. Não beijaria seu amigo, que loucura, que horror! Ainda mais por serem tão diferentes, meu Deus, que coisa! Mas bem que queria... Só um pouquinho, durante alguns segundos...

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